quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

RECLUSÃO DE 386 ANOS

386 anos de reclusão Navegando na Internet estou vejo a manchete: MPF quer pena de 386 anos de prisão para Eduardo Cunha. Pergunta: Na prática qual a eficácia de uma pena de 386 anos de reclusão? Que será que passa na cabeça de um Juiz ao sentenciar uma pena com essa magnitude? Cabe a resposta em muitas explicações: Coisas da Justiça, história da carochinha, tema para um samba do crioulo doido. Eduardo Cunha nasceu em 29 de setembro de 1958, portanto está com 59 anos e no final da pena estará com 444 anos. Não ele, bem entendido, mas seus restos mortais, cinza ou ossos a espera do alvará de soltura.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

QUOUSQUE TANDEM

Vergonha, traição, mentiras, engodo, prevaricação, corrupção, roubo, propina, cartel, quadrilha, falsidade, lama, cobiça, eis a Pátria ultrajada. Toda sociedade perplexa com uma traição praticada justamente por aqueles que juraram solenemente defenderem seus legítimos interesses. O Congresso Nacional sangra numa UTI, ferido fulminantemente pela vergonhosa conduta de seus membros. O Poder republicano fragilizado, ultimando-se e agonizante, refugia-se nos delírios pueris e na retórica enganosa de seus arautos. Na planície, carpideiras choram lágrimas de sangue enquanto o povo atordoado procura enxergar a menor chama da esperança. A representação política esquartejada, com fraturas expostas. Odores putrefatos e vísceras gangrenadas poluem os salões palacianos. Quosque tandem abutere Catilina patientia nostra?

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O ARTESÃO DO CARIRI

SEBASTIÃO MATIAS Uma sombrinha de praia desbotada, uma pequena mesa tosca de metal protegendo alguns toros de imburana bruta e seca encimada por diversas esculturas talhadas na madeira compõem o atelier e a moradia de Sebastião Matias. Ali naquele arremedo de habitação vive com a mulher Maria. Quem é Sebastião Matias? Sebastião Matias é um escultor de muito talento, um autodidata da escultura em madeira. Filho dos Agricultores Manuel José Cordeiro e Francisca Matias, nasceu no sítio Capim Grosso, no município de Itaporanga, no dia 19 de agosto de 1950. Escolaridade? Responde com certo desdém: Nunca freqüentei uma escola. Sabe apenas assinar o nome, o suficiente para tirar o título de eleitor. De comportamento nômade morou em várias cidades do Sertão e do Cariri, Patos, Juazeiro de Padre Cícero, Campina Grande, Juazeirinho e agora em João Pessoa. A primeira infância se passou no sítio onde nasceu e aos 10 anos descobriu que tinha pendores para a arte de talhar a madeira. É diabético, canhoto e tem uma perna amputada. Como aconteceu? pergunto com certo receio. Descuido. Me descuidei e aconteceu, tive que amputar quando eu tinha 54 anos. Hoje estou com 58 anos sou católico, temente a Deus e espero pouca coisa na vida, pelo menos uma casa para morar. Sou casado há 20 anos com essa mesma mulher Maria. Com ela tenho dois filhos, Danilo e Sebastião. Sebastião (filho) está começando a trabalhar a madeira, leva jeito. Esse cavalo marinho é dele, o golfinho é dele, o tubarão é dele, essa mãozinha segurando o coração é dele. Aponta as peças expostas sobre a mesa junto com outras de suas produções. Sebastião (filho) se encanta com os seres vivos e natureza, eu exploro mais as formas curvas dos corpos humanos e imagens do santos. Danilo não quer saber de nada. Está na escola, por enquanto, também tem só 13 anos. A quem quiser seguir esta profissão eu diria que precisa ter muita perseverança e se conscientizar que não vai trilhar uma estrada de rosas, mas vai encontrar muitos espinhos e experimentar muitas dificuldades. No fundo no fundo compensa quando vejo a obra concluída e sendo objeto de admiração. Não tenho pretensão de divulgar nenhuma mensagem em minhas obras nem seguir nem fazer escola, vou esculpindo e improvisando. Não projeto minhas peças, vou entalhando a madeira de acordo com o que ela sugere no seu estado natural e só Deus sabe o que vai ser no final. Não sei precisar até hoje quantas peças talhei. Sei que foram muitas, milhares. Sempre uso a imburana que me é fornecida por um amigo de Juazeirinho. Acho melhor de trabalhar. Em média levo uma semana para talhar uma peça de tamanho médio como esta – aponta uma pequena estatueta de aproximadamente 30 cm de altura e pouca complexidade espacial. Muitas delas estão no Japão, na Alemanha, na França e em Portugal. Meus maiores clientes são estrangeiros. A maior que produzi foi comprada por Burity e está exposta no Mercado de Artesanato, em Tambaú, custou 6.000 cruzeiros. A segunda peça de maior valor quem comprou foi um francês que a levou para Paris custou 4.000 cruzeiros. Não recebi ajuda nenhuma de nenhum governo. Até hoje não tenho uma casa para morar. O Governador Cássio tem demonstrado que quer ajudar aos artistas da terra, mas parece que certas pessoas ao seu redor não apresentam a mesma vontade a não ser sua mulher D. Silvia que tem dado muita atenção aos artesãos. Acho ruim por que ele está recebendo muita pressão do outro que foi governador. Acho que é inveja e não querem que ele trabalhe direito do jeito que ele sabe e cresça como merece. Gostaria muito de poder um dia conversar com ele (Cássio) e dizer isso e também pra ver se eu consigo uma casinha aqui em João Pessoa, ali no Renascer, quem sabe??!! Sebastião protagoniza a história de muitos artesãos paraibanos que esbanjam talento, mas vivem no anonimato a espera de uma oportunidade.

domingo, 26 de novembro de 2017

O homem e a máquina

Acabo de ver pelo NETFLIX “O homem e a máquina” um documentário sobre Steve Paul Jobs, o “cérebro” da Apple. A narrativa foca a determinação, a inteligência e perspicácia do inventor, empresário e magnata. Jobs criou uma das maiores empresas do século a Apple. A sociedade americana ufanava-se incondicionalmente da Apple e seus produtos. Mesmo assim o documentário desnuda o lado negro da relação capital e trabalho existente naquela empresa. Todos os produtos da Apple eram feitos na China. Os empregados dos seus fornecedores eram submetidos a regimes austeros de produção com baixos salários e condições discutíveis de salubridade. Os solventes usados nas telas da Apple eram eficazes, porém perigosos, pois causavam lesões nervosas que levam a fraqueza e perda de sensibilidade dos artífices. Na China sabe-se que o cobre, o cromo e outros metais pesados saturam o escoamento dos cursos de águas locais e os níveis de substância químicas são tão altos que as estações de tratamento de esgoto não conseguem limpar a água. A Foxconn a maior fornecedora da Apple registrou em dois anos 18 suicídios o que induziu essa empresa a instalar redes para pegar pessoas que se jogassem. O documentário enfatizou a enorme margem de lucro da Apple. Para cada iPhone 4 a Apple ganhava 300 dólares e pagava a mão de obra chinesa 12 dólares por aparelho o que demonstra a relação de brutal desequilíbrio entre o capital e o trabalho. Steve repetia frequentemente que o mais importante não eram os lucros auferidos nas transações da sua empresa, mas, sobretudo o que poderia ser feito para melhorar a vida das pessoas. Realmente os produtos da Apple indiscutivelmente propiciaram e ainda continuam auferindo benefícios extraordinários a toda população do planeta. Paira, entretanto uma interrogação quanto aos custos sociais e ambientais desses benefícios.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O final dos filmes cinematográficos

O que concorre para que um filme cinematográfico seja considerado bom ou ruim? Decididamente julgo ser o final. O final é o clímax. É justamente o ponto crucial que pode sensibilizar ou frustrar suas emoções. Poder-se-ia dividir os filmes em três segmentos: o início, o desenvolvimento e o final e estabelecer um gradiente para importância de cada segmento em termos percentuais. Ao início atribui-se uma porcentagem de 20%. Esse momento é responsável pela primeira impressão. Deve encerrar uma narrativa com cenas ou diálogos que agucem a curiosidade do expectador. Conta também, nessa hora a qualidade das imagens, da sonorização enfim todos ingredientes susceptíveis de causar uma sensação de prazer. O desenvolvimento tem também um papel importante, todavia sem prioridade na qualificação. Naturalmente deve preservar a lógica da narrativa sem cansar o telespectador. Assume uma participação de 10% na qualificação final. O “Gran finale” este sim é o grande responsável pela empolgação da história. É possível se ter uma boa história, mas um final fraco e inconsistente põe tudo a perder. Certos filmes não deveriam nunca ter sido filmados. Outros bastariam ter só o final. Assisti recentemente “ARMAS NA MESA” que concorreu ao Globo de Ouro 2017. Neste filme Jessica Chastain interpreta uma lobista dos EE.UU que trabalha pro desarmamento. Exagerando um pouco digo que se houvesse um corte radical em todo enredo e restassem apenas os minutos finais teria ganhado o prêmio de melhor filme do certame.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Constituição vilipendiada.

A cada dia que passa mergulho em maior profundidade nesse poço de decepções em que se transformou a sociedade brasileira. Uma sociedade onde o império da Lei só se impõe aos mais fracos, aos pobres, às minoria. Se você tiver dinheiro ou poder terá um salvo conduto para urdir e executar quaisquer ilícitos sem receio de uma reprimenda. Se você é detentor de um desses dois atributos fique certo que a inteligência maquiavélica e ardilosa dos advogados sempre encontrará uma porta para uma saída, um salvo conduto e certamente também encontrará julgadores que lhe darão guarida. Não tenha dúvidas que nesse caso, observadas as duas premissas PODER ou DINHEIRO, justiça em alguma instância será indulgente. Observe-se como exemplo o que acaba de acontecer no julgamento do impeachment da ex-presidente Dilma que se safou de se tornar inabilitada para o exercício de funções públicas por uma matreirice, um jogo de empurra do Presidente da Sessão Ministro Ricardo Lewandowski. Nossa Constituição é cristalina quanto a esta questão. Mesmo as pessoas leigas em matéria jurídica, como é meu caso, não têm dúvidas sobre o alcance do que preconiza Parágrafo Único do Inciso XIV do Art. 52 a seguir transcrito: Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis. Precisa ser mais claro? Quem duvida que a dosimetria da pena é cumulativa? Sem subterfúgios, sem arrodeios, e digo ainda sem que seja preciso ser operador do direito está mais do que esclarecido que os constituintes de 1988 definiram a pena nesse parágrafo sem restar margem para dúvidas. Um dia saberemos o que se passou nos bastidores para que essa novela tivesse esse fim promovendo um desrespeito à Carta Magna. João Pessoa, 01 de Setembro de 2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Lucy de Badu

Acho que todos sabem que a personagem Luzia na novela global Velho Chico é nossa encantadora conterrânea Lucy Alves. Pois bem, em 2010 tive meu primeiro contato com essa extraordinária e talentosa artista. Naquele dia, deslumbrado com seu potencial artístico escrevi um pequeno comentário antevendo seu sucesso que agora é reconhecido por todo País. Transcrevo a seguir meu presságio. LUCY DE BADU Valdelice e Enéas são os pais de minha filha Beatriz. Encucou? Beatriz, ou Bia é casada com meu filho mais novo, Mauricinho. Desencucou? Sexta feira 11 o casal serviu um jantar de confraternização natalina no seu apartamento. Mesa primorosa, iguarias refinadas e uísque honesto tudo regado a um papo agradável e bem humorado. Chamou atenção e registro com especial destaque a presença de uma menina prodígio filha de Badu (José Hilton Alves), a Lucy (Lucyane), componente do grupo Clã Brasil. Lá pras tantas Lucy foi convidada para tocar seu instrumento, o acordeon que eu insisto em chamar de sanfona, me parece mais autêntico. Que formidável surpresa. Logo aos primeiros acordes seduziu a platéia com sua técnica e seu apurado pendor artístico improvisando com incrível facilidade. De repente aquele corpinho franzino transmutou-se num enorme espírito de luz formado de fusas e semifusas. O encanto se deu num passe de mágica. Os dedos percorriam o teclado e os baixos numa precisão virtuosa, projetando uma nuvem indefectível de ritmo, melodia e harmonia. Sonhei ao ouvir e relembrar o mestre Sivuca nos acordes do seu “Quando me lembro” que ela executou a meu pedido. Ao final beijei-lhe a face comovido. Tenho absoluta certeza que essa pequena grande artista ainda brilhará e alcançará um lugar privilegiado de projeção na musicografia brasileira, pois talento e sentimento não lhe faltam. Estaria até agora escutando contrito e anestesiado aquela maravilhosa audiência não fosse uma crise renal que me nocauteou justo naquela noite. A dor tomou conta de mim obrigando-me uma retirada abrupta. Sai sem cumprimentar os presentes, nem Lucy. Lucy minhas desculpas e o reconhecimento pelo seu talento indiscutível.