segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Lucy de Badu
Acho que todos sabem que a personagem Luzia na novela global Velho Chico é nossa encantadora conterrânea Lucy Alves.
Pois bem, em 2010 tive meu primeiro contato com essa extraordinária e talentosa artista.
Naquele dia, deslumbrado com seu potencial artístico escrevi um pequeno comentário antevendo seu sucesso que agora é reconhecido por todo País.
Transcrevo a seguir meu presságio.
LUCY DE BADU
Valdelice e Enéas são os pais de minha filha Beatriz.
Encucou?
Beatriz, ou Bia é casada com meu filho mais novo, Mauricinho.
Desencucou?
Sexta feira 11 o casal serviu um jantar de confraternização natalina no seu apartamento.
Mesa primorosa, iguarias refinadas e uísque honesto tudo regado a um papo agradável e bem humorado.
Chamou atenção e registro com especial destaque a presença de uma menina prodígio filha de Badu (José Hilton Alves), a Lucy (Lucyane), componente do grupo Clã Brasil.
Lá pras tantas Lucy foi convidada para tocar seu instrumento, o acordeon que eu insisto em chamar de sanfona, me parece mais autêntico.
Que formidável surpresa.
Logo aos primeiros acordes seduziu a platéia com sua técnica e seu apurado pendor artístico improvisando com incrível facilidade.
De repente aquele corpinho franzino transmutou-se num enorme espírito de luz formado de fusas e semifusas. O encanto se deu num passe de mágica. Os dedos percorriam o teclado e os baixos numa precisão virtuosa, projetando uma nuvem indefectível de ritmo, melodia e harmonia.
Sonhei ao ouvir e relembrar o mestre Sivuca nos acordes do seu “Quando me lembro” que ela executou a meu pedido. Ao final beijei-lhe a face comovido.
Tenho absoluta certeza que essa pequena grande artista ainda brilhará e alcançará um lugar privilegiado de projeção na musicografia brasileira, pois talento e sentimento não lhe faltam.
Estaria até agora escutando contrito e anestesiado aquela maravilhosa audiência não fosse uma crise renal que me nocauteou justo naquela noite.
A dor tomou conta de mim obrigando-me uma retirada abrupta.
Sai sem cumprimentar os presentes, nem Lucy.
Lucy minhas desculpas e o reconhecimento pelo seu talento indiscutível.
sábado, 23 de julho de 2016
Barão de Mulungu
As pessoas já nascem com uma formatação intrínseca definindo seu comportamento e suas tendências ao longo da vida.
Uns são acomodados, outros inquietos, alguns vagarosos outros agitados, uns com pendores artísticos outros beligerantes, uns falantes outros monossilábicos, nômades, aventureiros e assim pode-se encontrar uma cadeia incontável de personalidades. Só os infortunados não têm pendor para nada. São um zero a esquerda.
Meu cunhado Romero é um exemplo concreto de um espírito empreendedor, nasceu com essa luz. Após morar cerca de quinze anos nos Estados Unidos retorna ao Brasil para tratamento de saúde. Aqui permanece num lá e lô, hora em João Pessoa, ora na Fazenda Mulungu de propriedade de sua família.
O gênio um pouco arrebatado típico dos iluminados tem uma tendência natural pelos desafios. Não se dobra aos obstáculos.
Por exemplo, mesmo com problemas de saúde, movendo-se com dificuldade e o dinheiro escasso nesses poucos dias de passagem pela fazenda onde convive com seu tio Sebastião (Bastos) marcou sua presença com uma série de ações onde se destacam:
Instalação de uma oficina mecânica, Impermeabilização da Cisterna, confecção de um portão para garagem, projeto de Paisagismo na frente da casa sede, limpeza de um poço profundo e conserto do cata vento, recuperação da cerca do curral, projeto e instalação da “Transmulungu” (estrada que contorna a sede da fazenda), confecção de cochos para bodes, desobstrução de instalações sanitárias, aquisição de um reboque, aquisição de um quadriciclo, colocação de artifícios nas árvores do terreiro para comida de passarinhos.
Essas pessoas dão pouca importância se aconteceu uma experiência exitosa ou não, para elas o importante é fazer, por isso que são mais vulneráveis aos tropeços.
Como é o caso do estadista Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, que liderou inúmeros empreendimentos comandou dezessete empresas e chegou a acumular uma fortuna hoje equivalente a 60 bilhões de dólares e terminou pobre.
João Pessoa, 23/07/16
sábado, 16 de julho de 2016
DÍVIDAS
A intolerância se caracteriza como uma manifestação de desagravo por algum fato, coisas ou pessoas.
Há quem não tolere certos matizes ou sons, outros não admitem alguns sabores, há quem não tolere a escuridão, outros fogem das multidões. Para qualquer circunstância ou coisa concreta ou mesmo subjetiva ha sempre um intolerante.
Eu por exemplo não tolero dívidas.
Consigo conviver com qualquer adversidade, com a dor, com a traição, com a ingratidão, com a fome, com a sede, com o frio ou calor, mas a dívida, esta realmente me tira totalmente do sério.
Uma vez contraída fico com o raciocínio embotado, taciturno, irritado.
À medida que passa o tempo ela vai se avolumando e se apossando do meu eu como se nada mais no mundo existisse ou importasse me tornando incapaz de pensar noutra coisa. Transforma-se numa megera, numa nuvem negra ocupando todos meus espaços e me acompanhando a todos os lugares. Chego a perder o sono e por mais que eu tente focar outro assunto a pústula arrodeia e com artimanhas e ciladas consegue fixar-se no domínio da situação.
Enquanto isso ela vai ficando, vai ficando e produzindo seus horrores até que eu consiga um antídoto eficaz para exterminá-la qual seja: pagar.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
A Nação ferida e seus dois algozes
Vivenciamos um momento de crises generalizadas sem precedentes na história da República.
Crise financeira, crise política e socioeconômica.
A sociedade aturdida e aflita se encontra mergulhada num mar de lama sem vislumbrar um porto seguro.
Houve uma deterioração invulgar do tecido social e dos fundamentos do que é certo e do que é errado.
Nesse avalanche de impropriedades o mal e o bem se confundem numa promiscuidade doentia.
A corrução alastra-se como um turbilhão avassalador e se propaga em todas as direções e em todos os níveis da administração pública.
Para o discernimento do que correto e do que é ilícito não mais existe escolha.
A Nação ultrajada também não tem escolha.
Toda comunidade política atual está contaminada por uma espécie de vírus causador de uma pandemia incurável. Todos de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, incursos em delitos penais. Difícil encontrar algum honesto. Se alguma exceção existe não se pode identificar.
Os ilícitos praticados pelos agentes públicos ocupam toda cadeia prevista no Código Penal.
Lavagem de dinheiro, Estelionato, Prevaricação, Calúnia, Difamação, Injúria, Furto, Roubo, Extorsão, Falsidade ideológica, Peculato, Concussão, Corrução ativa, Corrução passiva, Tráfico de influência, Fraude, Apropriação indébita.
Este cenário nos conduziu a uma situação inusitada: a República atualmente tem dois presidentes, um em exercício interinamente e outro afastado.
A sociedade vacila numa dúvida atroz.
Quem deveria continuar governando. Dilma ou Temer?
Considerando o comportamento dos dois mandatários e o perfil do entourage de cada um é o mesmo que se perguntar: O que é melhor pular do 19º andar ou do 21º? Ou então: Que você prefere morrer de câncer ou da febre Chikungunya?
Qualquer que seja a resposta essa o levará para sete palmos debaixo da terra.
Estamos, pois fadados a sucumbir.
Adeus esperança!
segunda-feira, 7 de março de 2016
Condução coercitiva
O jovem e brilhante advogado Rodrigo Soares, hoje integrando os quadros da Secretaria Geral da Presidência da República, como Chefe de Gabinete, publicou na rede social um artigo de apoio ao ex-presidente Lula.
O artigo, por sinal muito bem escrito, denuncia a indignação do autor com a condução coercitiva de Lula e defende o líder petista enaltecendo seus feitos durante o exercício da presidência e anuncia que não existe prisão para custodiar quem realizou tantos benefícios para a sociedade brasileira notadamente para as classes menos favorecidas.
Até certo ponto é compreensível a reação e os argumentos do ilustre Advogado em defesa de seu companheiro de partido.
No meu julgamento Rodrigo, que muito me honra com sua amizade, é uma pessoa íntegra e muito bem intencionada, mas no caso em apreço me parece equivocado ao realçar os atributos e méritos de seu aliado político.
Lula ficará perpetuamente preso na memória dos brasileiros pelas centenas de milhares de escolas e hospitais que deixaram de ser construídos em razão dos desvios dos recursos nos “propinodutos” do seu governo e sucessores, pelos bilhões de Reais surrupiados dos cofres públicos com leniência do governo do PT, pelo desaparelhamento do Estado, pelo desencadeamento de uma prática nefasta de atos ilícitos e corrupção no intuito de se manter no poder.
Lula ficará eternamente preso na memoria do inconsciente coletivo como o homem que via tudo, tinha conhecimento de tudo, sabia dos gravames e de suas consequências e sempre jurou de pés juntos que nada sabia.
Evidentemente não se pode obscurecer que durante seu governo ele conseguiu algum avanço na área social, mas a custo de um legado que precisará muitas e muitas gerações para curar as mazelas provocadas pela súcia delinquente que com ele governou.
Lula ficará para sempre irrogado com a pecha de quem teve todas as condições políticas para promover as grandes reformas reclamadas pela sociedade todavia preferiu preocupar-se com estratégias escusas que lhe garantissem a perpetuação no poder.
Seus pecados são infinitamente maiores que suas parcas virtudes consequentemente não pode ser absolvido.
quarta-feira, 2 de março de 2016
Um discurso subalterno
Estupefato foi como me senti ao escutar Pela Rádio Senado, neste final de Fevereiro, o pronunciamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT do Paraná) em defesa do ex-presidente Lula.
O discurso por um lado demonstra um sentimento de lealdade e companheirismo da Senadora para com seu líder maior e por outro lado denuncia um comportamento subalterno e um exagero exacerbado.
Segundo a Senadora Lula está sendo vitima de um complô das elites por defender uma política de amparo à pobreza.
Ao seu julgamento o ex-presidente Lula foi o maior e melhor Presidente da República de todos os tempos. Mais ainda em termos de liderança estabelecendo-se um ranking mundial Lula vem logo após Jesus Cristo.
Segundo ela o ex-presidente defende que as classes dominantes inverte os papeis quando coloca em primeiro lugar o mercado e em segundo plano olhar para o povo.
Assim para angariar a simpatia das classes menos favorecidas ele insiste na defesa de ideias populistas e sensacionalistas para aliciar as classes sociais de menor poder aquisitivo.
Analisando com responsabilidade a situação da crise econômica não há como discordar que salvar primeiro o povo depois o mercado é uma visão populista e irresponsável.
Num diagnóstico correto infere-se que numa relação de causa e efeito, primeiro há que se consertar a economia para que haja desenvolvimento. Os benefícios para a sociedade são consequência.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Diários da Presidência
Meu filho Guga presenteou-me Diários da Presidência dizendo ele no oferecimento ser uma escapatória para esquecer um pouco minha “surdez”.
Trata-se de uma descrição minuciosa do dia a dia da Presidência do Brasil escrita pelo sociólogo e Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no primeiro ano de seu governo (1995 a 1996).
Um compêndio volumoso com mais de oitocentas páginas que leio com avidez.
O conteúdo desse diário registra e descreve minuciosamente as benesses e as agruras do Poder.
O desprezível fisiologismo politico, o vezo clientelista dos Deputados, as relações azedas e às vezes promíscua com a imprensa, o escambo político, a ciumeira doentia no núcleo do Poder, as cascas de banana, o dialeto e códigos de comunicação dos parlamentares que quando diz nunca é agora, quando diz vou fazer, espere sentado.
Expõe as mais diversas formas de pressão que o governante tem que administrar desde as mentiras plantadas ao indesejável é dando que se recebe. Enfim descortina a lama do Poder.
Deduzi em diversos registros consignados que os maiores problemas lhes foram causados pela imprensa e pelo “entourage”.
Na realidade de uma maneira geral a imprensa brasileira é sensacionalista e objetiva vender não importa os meios, mesmo que para isso tenha que criar factoides inverossímeis. Para atingir seus propósitos saboreia uma dieta de sangue e escândalos.
Aliás, ao meu juízo, só existem duas notícias de plena credibilidade na imprensa escrita do Brasil, os obituários e os anúncios classificados. O resto tem que ser interpretado com muito cuidado, pois nem sempre a verdade está na versão do fato.
A outra pedra no caminho é a ciumeira dos amigos disputando quinhões do poder. É algo desgastante e tumultuoso para o Governo. Vide as querelas e questiúnculas entre Serra e Pedro Malan (Tom & Jerry).
Ainda não terminei a leitura. Voltarei oportunamente a comentar.
Assinar:
Postagens (Atom)