sábado, 15 de janeiro de 2011

Final Infeliz

Definitivamente não gostei do final da novela Passione.

Sei que podem perfeitamente discordar mas, o Sr. Silvio Abreu que já vinha tropeçando num ciclo vicioso urdiu um desfecho sem criatividade e de profundo mau gosto.

Entre outras coisas disfarça uma apologia ao crime quando o permite que a personagem Clara que durante toda trama feriu todos os artigos do código penal termina impune e armando novo golpe.

Há uma crítica explícita à justiça doa homens quando Frederico Lobato é condenado por um crime que não cometeu.

Estimula a bigamia e a promiscuidade amorosa com cenas deprimentes da serelepe e octogenária Brígida divorciando-se, casando-se e amasiando-se simultaneamente.

Quanta asneira!

A imaginação só é fértil nos talentos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O BESSA & AEROCLUBE

A questão de localização do Aeroclube é um assunto na berlinda em todas as rodas de bate-papo da cidade.E pelo que pude observar até agora existe quase que uma unanimidade nas opiniões apoiando sua mudança para outro local. Ao que parece as únicas opiniões favoráveis a sua permanência são de parte dos associados pois mesmo dentro daquela corpoeração ha pessoas que concordam com sua mudança.Sobre este assunto foi publicado na edição de hoje (terça-feira 21) do Correio da Paraíba um  artigo de minha responsabilidade que transcrevo neste blog a seguir:

O solo urbano


A decisão da Prefeitura Municipal em transferir o atual aeroclube da Paraíba destinando a área para outras funções de interesse coletivo tem o amparo da lei e cumpre justamente os princípios constitucionais.

A cada ano a cidade cresce em todas suas dimensões. A cidade “incha”.

Cresce a população, o volume de tráfego, a necessidade de mais habitações, cresce a demanda por mais infra-estrutura, só não cresce sua extensão territorial.

O Bessa, um dos mais populosos bairros da capital abriga o aeroclube que ocupa considerável área de seu território, mais de 30 hectares. Este equipamento além de obstacular o aperfeiçoamento de seus sistemas (viário, esgotamento sanitário, moradias), alberga uma atividade que põe em risco permanente tanto os aficionados da aviação como os moradores, devido a proximidade das habitações com as aeronaves em suas operações de pouso e decolagem.

O aeroclube sem dúvidas é um equipamento que presta um serviço relevante se bem que a uma parte restrita da população. Não se questiona absolutamente sua existência muito menos o direito de seus associados à prática de atividades aeronáuticas quer com fins esportivos, de lazer ou comerciais, mas sua atual localização, O que se discute é sua a localização numa região altamente adensada impedindo a ação do poder público para a melhoria da qualidade de vidas de seus cidadãos.

Muito pertinente e oportuna a providência do Prefeito Luciano Agra considerando aquela gleba de utilidade pública. Certamente deverá enfrentar sérias resistências de pessoas ou entidades refratárias às mudanças e descompromissadas com o bem estar público, mas sem dúvidas contará com um importante e poderoso aliado caracterizado pelo apoio popular.

A partir de janeiro de 2011 deverá recrudescer o alinhamento político-administrativo entre a Prefeitura da Capital e o Governo do Estado. Esta condição permitirá e facilitará, por exemplo, uma parceria onde o Estado poderia oferecer parte de seu estoque de área públicas localizadas em Mangabeira para implantação de um novo aeródromo inserido no complexo turístico do Cabo Branco. Fica a sugestão.

sábado, 20 de novembro de 2010

Graciliano

"Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões."



Graciliano Ramos

Graciliano Ramos
No dia 27 de outubro de 1892 nasceu em Quebrângulo, nas Alagoas, Graciliano Ramos de Oliveira, o primogênito do casal Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos, que teve dezesseis filhos.

Graciliano ainda infante deu sinal de seu talento para as lides literárias. Assim, aos 12 anos de idade, fundou o Dilúculo (alvorada) um jornal de criança, do qual foi Diretor.

Aos 16 anos publicou seus primeiros sonetos sob pseudônimo de Almeida Cunha.

Casou em primeiras núpcias com Maria Augusta Barros com quem teve quatro filhos. Enviuvou e em 1928 casou novamente com Heloisa Medeiros.

Em 1927 foi eleito Prefeito de Palmeira dos Índios.

Foi preso, sem processo, em Maceió, pelo governo Vargas. Em 1945 filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro. Faleceu em 1953, no dia 20 de março, numa casa de saúde em Botafogo, vítima de um câncer no pulmão. Foi enterrado no dia 21 no cemitério São João Batista.

Expoente da literatura brasileira e um dos e seus maiores romancistas, Graciliano escreve dizendo o máximo com o mínimo de recursos. Impressionante seu poder de síntese. Um escritor eminentemente substantivo, conciso. Usa o mínimo de palavras e as mais simples e mesmo coloquiais, para alcançar um fim mais rico.

No dizer de Tristão de Athayde Graciliano “foi um apaixonado subversivo, contra as injustiças sociais e contra toda sorte de alienações no plano político e econômico”.

Em nossa heróica Paraíba temos visto, neste período de transição, o desencontro entre os governadores que sai e o que entra.

Não há como se estabelecer uma convivência pacífica e proativa entre os dois.

Gladiaram-se durante a campanha e continuam se ofendendo mutuamente agora no processo de transição que se desenrola no mesmo clima beligerante como se observa nos jornais, nas rádios, na TV e nos portais da web.

Que falta nos faz o “Mestre Graça” para inspirar esses contendores com sua verve prodigiosa como o que se destaca de um dos seus relatórios enviados ao Governador do Estado, Álvaro Paes.

...“Dos funcionários que encontrei em janeiro do ano passado restam poucos: saíram os que faziam política e os que não faziam coisa nenhuma. Os atuais não se metem onde não são necessários, cumprem as suas obrigações e, sobretudo, não se enganam em contas. Devo muito a eles.”

...“Não sei se a administração do Município é boa ou ruim. Talvez pudesse ser pior.”

... “ 724$000 foram-se para uniformizar as medidas pertencentes ao Município. Os litros aqui tinham mil e quatrocentas gramas. Em algumas aldeias subiam, em outras desciam. Os negociantes de cal usavam caixões de querosene e caixões de sabão, a que arrancavam tábuas, para enganar o comprador. Fui descaradamente roubado em compras de cal para os trabalhos públicos.”

...“as despesas com a cobrança dos impostos montaram a 5:602$244. Foram altas porque os devedores são cabeçudos.”

São coisas ditas realçando o que é substantivo sem rebuscamento, mas sem perder o brilho, como ele mesmo dizia: “(A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O saber.

O saber nunca é demais mesmo considerando aquilo que se costuma chamar de cultura inútil.

Julgo que nenhuma cultura jamais será inútil. E se por acaso o for ensejará menor prejuízo do que o vazio do não saber.

A filosofia é uma reflexão sobre coisa vivida.

O espírito que constrói os sistemas filosóficos nos cérebros dos filósofos é o mesmo que constrói os caminhos-de-ferro com as mãos dos trabalhadores. A filosofia não é exterior ao mundo. (K. Marx, Artigo de fundo no nº 79 da Gazeta da Colônia.

Ensaio uma peregrinação sobre etimologia e origem das coisas.

Vou garimpando no que se dispõe nos livros, revistas e na web.

Busco em Platão a origem dos sexos. Na busca encontro três personagens míticas Andros, Gynos e Androgynos.

Andros é uma entidade masculina com oito membros e duas cabeças, Gynos uma criatura feminina com duas cabeças e Androgynos uma criatura proto-humana metade masculina e metade feminina.

Conta-se que os deuses insatisfeitos resolveram separar essas criaturas para reduzir seus poderes.

Seccionados, Andros deu origem a dois homens que apesar de ter em seus corpos separados, tinham as almas ligadas, por isso um era atraído pelo outro. O mesmo ocorreu com os outros dois.

Andros originou os homossexuais, Gynos as lésbicas e Androgynos os heterossexuais.

Qualquer que seja sua preferência agora você sabe como se originou.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Carol

Parece que foi ontem o advento daquela criança maravilhosamente linda filha do meu irmão Cláudio.

Sangue do meu sangue Carol chegou como num conto de fadas, um raio de luz irradiando um sentimento misto de encantamento e alegria. Cresceu sempre linda, bonita mesmo, por dentro e por fora.

Passam-se os anos e para minha grata surpresa a reencontro agora através de uma mensagem que me foi enviada por minha irmã Nora, sua tia.

Carol agora é adulta, é mãe e além de mãe dedicada é escritora. Não sabia eu que por trás daquela tímida e outrora frágil criancinha escondia-se um ser humano de invejável talento.

Carol estava ali, a convivência diuturna e a aproximação do parentesco lhe embotava o brilho e impedia que divisássemos a nela uma pérola, um diamante raro que agora brilha intensamente.

Escreve como gente grande textos precisos, escorreitos, de superior qualidade filosófica perscrutando os mistérios da alma e do coração.

Lí com redobrada atenção alguns de seus textos postados no seu Blog Jornada da Alma, sobre a psique e as energias humanas, o inconsciente coletivo, a libido e seus simbolismos, sobre a teoria platônica da criação dos sexos. De fato são exegeses, dissertações esmeradas com muita propriedade sobre a essência cósmica. Quem desejar constatar é só acessar www.teoriadetudo.wordpress.com

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

USE DAY

Recordo ainda infante das marotices, porque não dizer, sacanagem, atribuídas a um velho garçom – COBRINHA, que durante muitos anos enriqueceu o anedotário gastronômico da sociedade paraibana. O jornalista Wills Leal em seus “Fragmentos Etílicos e Gastronômicos” relata façanhas espirituosas, gafes e brincadeiras protagonizadas por COBRINHA.

Nas contas de Cobrinha 2 + 2 poderia assumir qualquer valor, nunca 4.

Certa vez na descriminação de uma conta inseriu um produto SECOLA e taxou: tantos cruzeiros.

Questionado pelo cliente desculpou-se e arrematou: Não colou.

Atualmente as coisas se sofisticaram, se modernizaram.

Domingo último acompanhei o amigo Aníbal numa visita à sua filha Mariana, o genro Rodrigo e suas netas que se hospedaram na pousada Aruanã, no litoral sul.

Pedimos a conta e para nossa surpresa cobrava-se R$80,00 com uma taxa denominada Day Use.

Acrescente-se que em nenhum momento fomos certificados de que essa taxa seria cobrada.

Peremptoriamente recusamos e nos opusemos ao pagamento da mesma.

Na realidade trata-se de uma invenção marota dos hoteleiros para incrementar suas receitas, mormente nos períodos de baixa estação, entretanto, há que se considerar duas situações distintas.

Uma coisa é chegar à pousada Aruanã, usar suas dependências e seus equipamentos durante o dia, outra coisa é chegar à pousada Aruanã para uma visita rápida a um dos seus hospedes.

O primeiro caso é compreensível desde que o usuário seja previamente cientificado de sua prática, no segundo caso me parece mais uma sacanagem, um bote do Cobrinha.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cantadores de Viola

Sempre admirei os trovadores populares e os entendo como instrumentos da história captando seus elementos.

Alguns na rudeza de sua escolaridade ultrapassam os limites acadêmicos e dominam os espaços e as ciências num saber cosmopolita e universal.

Com disse José Américo: “o trovador tem uma boca que não se cerra, na sua apresentação para não ser derrotado”.

Alguns se tornaram lendários como é o caso Ugulino do Sabugy primeiro poeta popular, Inácio da Catingueira, Cego Aderaldo, Zé Catôta, Jó Patriota, Cancão, Severino Pinto o maior de todos os poetas e os célebres irmãos Batista que pontificaram obras primas ao longo de sua trajetória artística.

Certa vez em Pombal, em companhia do Dr. Carneiro Arnaud, assistimos a uma festa maravilhosa onde se apresentou uma legião privilegiada desses poetas do repente.

Ali estavam João Furiba, Ivanildo Vila Nova, Oliveira de Panelas, Francisco Linhares e outros tantos que nos deleitaram com sua poesia espontânea, pura e cristalina. Era uma espécie de competição.

O que mais me chama atenção foi a presença de espírito dos poetas e a facilidade como captavam os elementos dos cenários vivenciados criando e descrevendo, de improviso, uma crônica poética do momento vivido.

A poesia popular é muito rica e encerra trinta e seis modalidades de gêneros que vão da Sextilha às Quadras, Quadrões, Martelos e Moirões, Galope a beira mar, Toadas e Gemedeira.

Destaco neste artigo o Martelo no gênero “que é que é que me falta fazer mais”.

Mês passado estive em Limoeiro do Norte onde conheci o Professor José Maria Guerreiro, membro da Academia Limoeirense de Letras, que me contou uma pérola sobre esta modalidade.

Uma determinada ocasião, em um dos canais da televisão cearense, os poetas Ivanildo Vila Nova e Oliveira Francisco de Panelas cantavam esse gênero e Oliveira improvisou esta estrofe:

Certo dia eu estando em Hollywood

E visitando Mallboro e Arizona,

Lá eu tive um encontro com Madonna

E fomos tomar banho de açude,

É que a bicha mostrou muita saúde

E eu também demonstrei ter muito gás,

E no uso das práticas sexuais

Eu fiz tudo com ela ao modo inglês

E depois perguntei em português

O que é que lhe falta fazer mais.

É uma estrofe gaiata, mas reproduz a verve e a sagacidade do cancioneiro de viola para o deleite de quem as ouve.